Cuidado! Pode ser refluxo…

27 de jan de 2018
Você já deve ter ouvido falar milhares de vezes sobre “refluxo do bebê”, mas você não sabe exatamente o que isso significa? Se a resposta for não, pode ficar tranqüila que vamos explicar passo- a -passo sobre uma das queixas mais freqüentes nos consultórios de pediatria.more O refluxo que acontece nos bebês chama-se Refluxo Gastroesofágico (RGE). Segundo a médica pediatra do Hospital Nossa Senhora das Graças, Márcia Luiza Baptista “Chamamos de RGE fisiológico, pois refere-se à presença do refluxo em bebês saudáveis que vomitam ou regurgitam, e não se associa a doenças ou complicações”, comenta. Essa regurgitação ocorre, em geral, após as mamadas e são de curta duração. Isso acontece porque o conteúdo do estômago passa involuntariamente para o esôfago, ocorrendo em todos os lactantes, com ou sem manifestação de regurgitação. Em geral, as regurgitações iniciam por volta do segundo ao quarto mês de vida. Aos quatro meses de idade, até 67% dos lactentes regurgitam. Embora as regurgitações possam resultar em desconforto para os bebês e causar alguma ansiedade nos pais, sabe-se que elas não comprometem a saúde do bebê e, tipicamente elas se resolvem espontaneamente com o tempo. Os bebês portadores de RGE que vomitam, mesmo que sejam vômitos significativos, mas que crescem normalmente e que não apresentem outras complicações decorrentes do refluxo, não devem ser investigados com exames e nem tratados com medicamentos. “Estes bebês deverão receber apenas medidas posturais e alimentares. Os lactentes amamentados não devem ser desmamados”, comenta a Dra. Márcia. Além de fornecer algumas dicas para melhorar esse desconforto “Orienta-se não trocar de fralda antes das mamadas e nem deitar os bebês depois. Recomenda-se a posição supina para dormir (posição do corpo quando o indivíduo deita de face para cima) ou o decúbito lateral direito, que pode ajudar no esvaziamento gástrico. Nos bebês que estejam recebendo leite de fórmula (mamadeira) pode-se optar por uma fórmula anti-refluxo, que são fórmulas espessadas”, completa. Se o refluxo não diminuir espontaneamente com o tempo, o RGE fisiológico passa a se chamar Refluxo Gastroesofágico patológico, também chamado de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). De modo que o bebê pode ter regurgitações (vômitos) que ocorrem por algumas horas após as mamadas, irritabilidade, choro excessivo, sono agitado, dor que pode ser relacionada à inflamação do esôfago (esofagite), soluços, anemia, recusa às mamadas, rouquidão, tosse, pneumonia e outras situações graves. Os bebês portadores de DRGE, que felizmente é uma minoria e, portanto, apresentam refluxo com sintomas importantes e/ou complicações, necessitam de investigação por exames, tratamentos e medicamentos para neutralizar ou inibir a secreção ácida, além das medidas posturais e alimentares. É fundamental que se trate a DRGE, pois apresentam complicações tanto esofágicas como extra-esofágicas e complicações para as vias aéreas. “A esofagite pode progredir para estágios mais graves, com erosões e ulcerações do esôfago. A endoscopia digestiva alta é o meio diagnóstico por excelência para se reconhecer estas lesões”, orienta a pediatra. A progressão da doença esofágica pode levar a estenose péptica, que é uma área de estreitamento do esôfago e complicações associadas ao alto índice de morbidade (taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento). A DRGE tem sido associada a doenças respiratórias, como: pneumonia, asma, apnéia, etc. Se seu bebê apresenta alguns desses sintomas é preciso ter cuidado e avisar o pediatra, pois o quanto antes você souber informações sobre a doença, menos o seu filho (a) vai sofrer! Para qualquer dúvida em relação ao refluxo pode entrar em contato com o Hospital Nossa Senhora das Graças pelo telefone 3240-6060, onde existem médicos especializados para orientar as mamães. Por Priscila Mello