LIMITE – Uma construção necessária

15 de jun de 2018
Saber dosar amor e permissividade com limite e autoridade, não é tarefa fácil, ao contrário, é um desafio. Nesse contexto, é importante lembrar sempre, que, dizer “não”more e ser firme com os limites, ajuda a desenvolver crianças emocionalmente saudáveis. Formar filhos obedientes e respeitosos é uma construção que se consolida ao longo do desenvolvimento infantil, não ocorre de uma semana para outra, nem de um ano para outro, e sim no decorrer dos primeiros seis anos de vida. Os filhos não nascem desobedientes e não se tornam como tais do dia para a noite. Comportamentos infantis são aprendidos por meio de imitação e experimentação, por isso é tão importante que os pais consigam manter consistência em suas atitudes. Sendo firmes com os filhos ajudarão na formação de adolescentes e adultos saudáveis. É com os pais e pessoas ao redor que as crianças inconscientemente testam os limites e regras o tempo todo. No primeiro ano de vida é comum as crianças fugirem do que não é prazeroso porque obedecem ao princípio do prazer, agindo por impulso. A noção do proibido só começa a ser entendida melhor perto dos três anos. Depois dessa idade é que elas começam a compreender verdadeiramente as ordens, pois passam a ter noção também entre a diferença do bem e do mal. Por isso tudo se diz que até cerca de seis anos a PERSISTÊNCIA (nunca deixar-se vencer pelo cansaço diante dos filhos) e a CONSISTÊNCIA (manter sempre as mesmas regras, agir com explicações claras, exercer autoridade sem ser autoritarista) são ingredientes mais do que necessários, realmente fundamentais. Aliados a estes dois conceitos, salientamos outros que também ajudam a complementar o processo de construção do limite nas situações desafiadoras do dia a dia. A palavra NÃO. A palavra NÃO pouco ajuda os pais, pois não revela os motivos e induz nas crianças a vontade em teimar para contrariar o não. Ao invés de dizer: filho (a) não pega isso! Devemos falar: quando você pega isso, se arrisca a acontecer um acidente. É um simples exemplo, mas nos ajuda a eliminar de nosso vocabulário o NÃO, pois realmente ele mais atrapalha do que ajuda. Ao invés de falar o que você não quer que a criança faça, fale o que ela deve fazer: evite a palavra não. Quebrar maus hábitos. Essa dica é ótima. Se você está insatisfeita(o) com determinadas situações dos filhos, coloque na mente a seguinte frase: um mês de luta!!!! Para mudar um comportamento é necessário cerca de um mês de luta para alcançarmos uma mudança. Para que isso ocorra você precisa sentar com seu filho(a) e explicar o que não está correto, porquê precisa mudar e deixar claro que durante os próximos dias você será muito firme até ver a mudança. Aguente firme! Momentos de crise e centro linguístico. Quando acontecer o famoso “tique nervoso” ou “piti”, com aquelas crises de escândalo, choradeira ou grito das crianças, não adianta querer educar, falar ou ensinar algo nesses momentos, pois o centro linguístico das crianças se fecha e de nada adianta as broncas nesses momentos. O melhor a se fazer é sair do local, mudar totalmente o contexto e apenas dizer que depois falarão a respeito. O melhor a se fazer é ignorar o momento, fingir que não estão ouvindo, ou algo assim, pois se nesses momentos quisermos que eles nos ouçam, que escutem algum ensinamento, não resolveremos a situação e até mesmo podemos piorar o caso. Após o incidente desagradável aí sim vale uma bronca em casa, uma conversa que leve a criança a perceber seu sofrimento e que entenda que isso não resolve nada e que não deve se repetir. Ignorar o causador. Essa é excelente para quem tem mais de um filho. Quando irmãos brigam o melhor a se fazer é ignorar o causador da situação. Ou seja, ao invés de dizer: não faça isso com seu irmão(a), não empurre, não cutuque, é importante dizer o que aconteceu, exemplo: nossa, minha filha caiu, vem cá, eu te faço carinho. Ou então, ai que chato, ela se machucou, não chore querida, já vou te ajudar, vem aqui no meu colo. A situação para o causador do problema deve ser revertida positivamente para quem sofreu o ataque e o causador(a) deve ser ignorado(a). Dessa forma a intenção é fazer com que o(a) causador(a) perceba que ele(a) não terá atenção fazendo agressão com o próximo. A voz clara. Para evitar as birras, não deixar que as crianças falem chorando ou ‘miando’. Quando começam a falar com voz manhosa, misturada com choro, precisamos fazê-las entender que se não falarem direito não serão compreendidas. Em momentos de crise é preciso chorar primeiro para depois falar, não podem chorar e falar ao mesmo tempo. Se choram e falam ao mesmo tempo, ficam nervosos e não são compreendidas, o caso só piora. Ou seja, precisam aprender a respirar, voltar à calma e depois se comunicarem. Esse conceito ajuda para que futuramente as crianças sejam equilibradas, mais resilientes ao enfrentar obstáculos, sem entrar em desespero. Com a união de várias condutas persistentes e consistentes, passamos segurança para as crianças. Estabelecer limites não precisa ser complicado. Claro que não há receitas únicas, pois as características familiares são muito diferentes. Mas, independente disso, é importante construir um processo de boas escolhas e decisões diante dos filhos e, algumas orientações básicas são sempre úteis. Para finalizar acrescentamos: agir de acordo com a idade da criança; iniciar a construção do limite o mais cedo possível; manter a coerência, dar o exemplo; cumprir com o que foi dito e não economizar elogios quando for possível. Agra Mascarenhas – Escola Interação Roberta Pimentel – Blog Aprendizagem Humana